Em 2023, o Capão Redondo registrava uma média de 12 ocorrências de conflito interpessoal por semana atendidas pelo CRAS local — brigas de vizinhos, disputas familiares, desentendimentos entre jovens que, sem mediação, frequentemente escalavam para violência física ou envolvimento policial. Em junho de 2025, essa média caiu para menos de 5 por semana.
A diferença foi o Programa Paz Ativa, uma iniciativa de mediação comunitária criada por lideranças do bairro sem nenhum recurso público.
O Paz Ativa treinou 120 moradores como mediadores comunitários. O treinamento, desenvolvido em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da USP, dura 40 horas e cobre técnicas de escuta ativa, mediação de conflitos e encaminhamento para serviços de apoio.
"A polícia chega e o conflito para. A gente chega e o conflito termina. É diferente." — Jéssica Oliveira, mediadora comunitária e moradora do Capão Redondo
Em dois anos, o programa atendeu 847 casos. Desses, 91% foram resolvidos sem necessidade de intervenção policial ou judicial. Apenas 9% precisaram de encaminhamento para outros serviços. Nenhum caso atendido pelo programa resultou em violência física após a mediação.
O programa funciona com doações de moradores e de uma ONG local. O orçamento mensal é de R$ 8.000 — suficiente para pagar os custos operacionais básicos, mas insuficiente para remunerar os mediadores. A coordenadora do programa, Jéssica Oliveira, está tentando formalizar o Paz Ativa como organização social para acessar recursos públicos.
"A prefeitura elogia muito. Mas elogio não paga aluguel dos mediadores", diz ela.